Dez dias depois, mais dois resgates
23 de janeiro de 2010 
EQUILIBRIO DELICADO
Zero Hora
As intensas buscas por sobreviventes sob os escombros não serão mais prioridade no Haiti. Nem o resgate, ontem, de uma mulher de 84 anos e de um jovem israelense de 22, 10 dias depois do terremoto, deve mudar o foco das equipes lideradas pela Organização das Nações Unidas (ONU), que concentrarão agora os esforços em fornecer assistência aos cerca de 3 milhões de haitianos atingidos pelo abalo sísmico.
De acordo com familiares de Marie Carida Romain, eles dormiam em frente a sua casa destruída, em Porto Príncipe, quando começaram a ouvir gemidos. Depois de 20 horas cavando com as mãos, disseram ter encontrado a idosa viva. A mulher, muito debilitada, estava sendo atendida no Hospital Geral da capital haitiana. Os médicos temiam ontem que Marie não sobrevivesse aos ferimentos.
Já o israelense foi resgatado por compatriotas das ruínas de um prédio próximo do semidestruído palácio de governo. Levado para um hospital de campanha, ele está em situação estável.
Embora não tenha sido feito nenhum anúncio oficial sobre o fim das buscas por sobreviventes, os EUA, que comandam a logística da ajuda humanitária no país caribenho, informaram ontem que preveem encerrar “em muito pouco tempo” essa fase e passar para o recolhimento dos corpos e a retirada dos escombros.
O último balanço da ONU contabiliza 121 pessoas resgatadas pelas equipes internacionais. Esse número não inclui as pessoas encontradas pelos próprios haitianos.
Também ontem, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou que pelo menos 15 crianças teriam desaparecido de hospitais do Haiti desde o dia 12. Isso indicaria a ocorrência de tráfico de pessoas para adoção no Exterior.
Ainda ontem, a Minustah confirmou a descoberta, na quinta-feira, do corpo do tenente licenciado da Polícia Militar do Distrito Federal Cleinton Batista Neiva – o 22º morto brasileiro no terremoto.
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