Uruguaio preso no Brasil é extraditado
24 de janeiro de 2010 
NA MÃO DA INTERPOL
Zero Hora
Manuel Cordero participou da Operação Condor nas décadas de 70 e 80
A extradição para a Argentina do coronel uruguaio Manuel Cordero Piacentini, 71 anos, foi iniciada na manhã de sábado, em Santana do Livramento. O militar, internado no município desde terça-feira, saiu do hospital em uma ambulância, por volta das 7h30min.
O destino de Cordero era Uruguaiana, onde, segundo a Polícia Federal (PF), deveria passar por nova avaliação médica, no hospital do município, para então ser entregue à Interpol.
A extradição do militar, que participou da Operação Condor na década de 70 e início dos anos 80, acusado de ser responsável pelo desaparecimento de 11 pessoas e pelo sequestro de um bebê, foi solicitada pelo governo argentino em 2005. Em agosto de 2009, o Superior Tribunal Federal autorizou a extradição de Cordero, que, desde então, permanecia em prisão domiciliar em Santana do Livramento.
Na terça-feira, a extradição deveria ter acontecido, mas não foi realizada porque, quando a Polícia Federal foi à casa de Cordero, ele passou mal. Na clínica em Livramento, o militar foi acompanhado pelo cardiologista Leandro Tholozan, que informou a Polícia Federal que o estado de saúde de Cordero havia se agravado e que ele deveria passar por uma cirurgia em Porto Alegre.
Uma junta médica da Interpol foi solicitada para fazer uma nova avaliação. Na sexta-feira, antes mesmo da chegada dos especialistas, o médico de Cordero se afastou do caso. Então, a Polícia Federal solicitou uma avaliação médica de uma equipe do hospital de Livramento, que autorizou a remoção.
– Agora todos os cuidados médicos que ele necessitar são de responsabilidade da Argentina – afirmou o delegado da PF, Alessandro Maciel Lopes.
Lutando pela captura de Cordero há cinco anos, o conselheiro do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), Jair Krischke, comentou o início da extradição para a Argentina:
– É uma vitória dos direitos humanos. É alentador para a Argentina, onde ocorreram os delitos, ao Uruguai, de onde são as vítimas, e ao Brasil, que finalmente reconhece um crime imprescritível.
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