Resgate acelera e restam 700 turistas isolados
Quinta-Feira, 28 de Janeiro de 2010
Doze helicópteros participam de operação no Peru; 475 turistas conseguiram deixar local afetado pelas chuvas
Bruno Paes Manso, Denise Chrispim Marin com AP

CUZCO – Na região alagada, sete pessoas morreram, entre elas uma turista argentina e um guia peruano
Helicópteros decolando ininterruptamente de meia em meia hora e a promessa das autoridades peruanas de transportar para Cuzco até 800 pessoas durante o dia de ontem deixaram animados os turistas brasileiros que continuam isolados em Águas Calientes, cidade vizinha a Machu Picchu, no Peru.
No domingo, fortes chuvas derrubaram encostas e destruíram parcialmente a única ferrovia que liga Águas Calientes a Cuzco. Sete pessoas já morreram, entre elas uma turista argentina, Lucila Rambalo, de 23 anos, e um guia peruano que faziam a Trilha Inca.
Parte dos dois mil turistas (entre eles, 180 são brasileiros) que estavam isolados em Águas Calientes já começou a retornar para Cuzco. As autoridades peruanas disseram ontem que 475 pessoas tinham voltado na terça e que mais 800 voltariam ao longo do dia de ontem. “Até meio-dia quase não tinha movimento porque o tempo estava fechado. À tarde, os helicópteros começaram a pousar e aumentou bem a frequência das aeronaves”, disse o estudante Victor Ferreira, de 21 anos, que está em Águas Calientes.
Doze helicópteros estão trabalhando nos resgates, frota formada por aeronaves do exército e da polícia peruana e do Departamento Antidrogas Americano. O Brasil ofereceu ontem ao governo do Peru helicópteros e equipes de voo da Força Aérea Brasileira (FAB) para ajudar no resgate. Mas, de acordo com o Itamaraty, até as 18h de ontem, nenhuma resposta havia sido enviada.
Os turistas brasileiros estão preocupados, contudo, com o retorno do grupo de cerca de 200 pessoas (além de 180 em Águas Calientes, 16 estão em um hotel na Trilha Inca) de Cuzco para o Brasil. Ontem, só existiam vagas nos voos Cuzco- São Paulo para o dia 2 de fevereiro ou na classe executiva, que custa US$ 1,5 mil. Em conversas com autoridades brasileiras, turistas solicitam um avião para levá-los de volta.
Durante o dia de ontem, houve um mal-estar envolvendo um grupo de 20 brasileiros do Rio Grande do Sul, todos acima de 65 anos, que foram em uma excursão a Machu Picchu. Como tinham o perfil dos que deveriam embarcar prioritariamente, foram chamados na terça-feira para aguardar os helicópteros. Esperaram por horas, não conseguiram vagas e voltaram chorando para o trem onde dormem os turistas. “Disseram que alguns estão pagando para embarcar na frente. Mas soube que o grupo de idosos foi embora hoje (ontem)”, disse Ferreira.
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