Militar faz declaração polêmica
5 de fevereiro de 2010
GAYS NO EXÉRCITO
Discriminação foi feita durante sabatina no Senado, na quarta-feira, pela indicação do general ao STM
O general-de-exército Raymundo Nonato de Cerqueira Filho causou polêmica quarta-feira, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, ao afirmar que há incompatibilidade entre o homossexualismo e a atividade militar. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) repudiou as declarações. O assunto também foi tema de debate nos Estados Unidos nesta semana.
Cerqueira Filho foi indicado para o cargo de ministro do Superior Tribunal Militar (STM) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
– A maior parte dos exércitos do mundo não admite (homossexuais) – afirmou o general-de-exército.
– Não é que o indivíduo seja um criminoso. Não sou contra o indivíduo ser (gay), cada um toma sua decisão. Se ele é assim, talvez haja outro ramo de atividade que ele possa desempenhar – concluiu.
Para o general, os homossexuais não conseguem comandar a tropa. A questão da homossexualidade foi provocada pelo presidente da CCJ, Demóstenes Torres (DEM-GO).
O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, repeliu as afirmações de Cerqueira Filho, que julgou “discriminatórias”.
– É lamentável que este tipo de discriminação ainda continue existindo nos dias de hoje nas Forças Armadas brasileiras– lamentou Cavalcante.
Para ele, o que se deve requerer de um militar é disciplina, treinamento e a defesa do País, nos termos da Constituição, independentemente da preferência sexual.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, contrariou Cerqueira Filho ontem. Ele disse que o governo brasileiro está debatendo a admissão de homossexuais nas Forças Armadas. Segundo ele, o Ministério da Defesa está estudando a possibilidade e não será influenciado pela posição do general a respeito do assunto.
A polêmica sobre homossexuais nas Forças Armadas também é discutida nos Estados Unidos. O secretário de Defesa do país, Robert Gates, disse na terça-feira durante sessão no Senado que um grupo de trabalho vai estudar a possível anulação de uma lei de 1993 que proíbe o ingresso de homossexuais nas Forças Armadas norte-americanas.
O anúncio foi feito durante audiência no Comitê de Serviços Armados do Senado. O secretário afirmou que a revisão da lei vai considerar o impacto que teria a sua anulação. O chefe do Estado Maior conjunto Michael Mullen também apoia a suspensão.
– É muito ruim que os gays tenham que mentir sobre quem realmente são para defender o país – Disse Mullen.
A legislação atual norte-americana, conhecida como ‘Don’t ask, don’t tell’ (Não pergunte, não conte), proíbe que soldados gays e lésbicas assumam sua homossexualidade, bem como que eles sejam questionados sobre isso.
fonte: diário catarinense
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