Médico do SAMU
Dr. Ben-Hur Antônio
Quem diria que Maceió teria seu homem-bomba tão cedo. Pois é: triste fim de mais um jovem. Para nós a morte de jovens é coisa corriqueira; amarrar explosivos ao corpo e detonar após a chegada do SAMU e da polícia é que foi um fato inédito.
Nada parece frear o ímpeto da droga; tiros, mãos decepadas pelo tráfico, só para dar um aviso ao decepado que ele não pode brincar de esquecer de pagar o que deve…
O médico do SAMU está afeito a todas estas fatalidades, é o seu dia a dia: um Iraque , um Afeganistão. Só que do lado de lá pelo menos se diz ter uma causa, aqui não; a ira do valentão já deflagra a violência insana das ruas.
No meio do fogo cruzado desta contenda horripilante e insensata, está o Médico do SAMU no seu sacerdócio de tentar salvar as vítimas da violência, indo a ambientes inóspitos e insalubres para cumprir sua missão, anonimamente, e na maioria das vezes sem reconhecimento.
Essa crônica de hoje é para você meu colega de profissão que arrisca a vida a cada minuto do seu plantão, pelo outro, sempre com amor, dedicação e abnegação: você é um herói!
Essa crônica é para você que ainda hoje ouve o zumbido da detonação; que atolou a bota na lama naquela grota à noite enquanto chovia; que foi atacado por abelhas, mas, trouxe o acidentado que caiu da árvore; que ficou preso sob a mira de um revólver por um meliante ao tentar resgatar um seu desafeto ferido.
Esta é a minha simples homenagem, pois eu reconheço o seu valor, e o reconhecimento é a rainha das virtudes.
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