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Europa precisa de 10 anos para se recuperar, diz FMI

24 fevereiro, 2010 (07:44) | Brasil, Economia | By: Severo Moreira

24/02 – 03:34

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que os países altamente endividados da Europa poderão levar de 10 a 20 anos para pôr as suas contas em ordem e voltar a ser competitivos. O recado foi dado no dia em que uma missão do FMI, União Europeia e Banco Central Europeu desembarcou na Grécia para começar a avaliar a situação do país.
Hoje, a Grécia enfrentará uma greve geral em resposta aos planos de ajustes do governo.

Em entrevista ao jornal italiano La Repubblica, o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, disse que o ajuste será “extremamente doloroso”. Para ele, sanear as contas da Europa poderia levar “mais de 10 ou 20 anos”. Sem poder desvalorizar suas moedas, países da zona do euro que estão endividados terão de sacrificar salários para reconquistar competitividade.

Blanchard, que há poucas semanas rompeu com um dos pensamentos tradicionais do FMI e afirmou que metas de inflação nem sempre podem funcionar, também defendeu o corte de gastos e o aumento de impostos na Europa e nos Estados Unidos.

Os comentários do economista-chefe do FMI ocorrem no momento em que uma missão de peso desembarcou ontem para começar a avaliar as contas gregas. O país assegurou que vai reduzir seu déficit dos atuais 12,7% do PIB para menos de 3% até 2012.

GARANTIAS
Apesar das promessas do governo de que cumprirá a reforma de seus gastos, a missão internacional quer garantias de que terá acesso aos detalhes e evitar, como em 2009, que os dados entregues pelos gregos a Bruxelas sejam adulterados. Até meados de março, os gregos terão de provar que estão cortando gastos e reformando suas contas.

Mas a missão internacional ainda vai se deparar com um país paralisado. Hoje, empresas aéreas, trens, o transporte marítimo, funcionários públicos e empresas fecharão suas portas em protesto contra as ideias do governo de cortar salários e pensões.

Segundo a Confederação dos Trabalhadores Gregos, escolas também estarão fechadas, assim como bancos. Ontem, um protesto ainda bloqueou as entradas do edifício onde fica a bolsa de valores de Atenas. O blecaute também será de notícias: jornais não circularão. Já os ônibus apenas funcionarão para levar os manifestantes aos locais de protestos.

Ontem, o presidente do Banco Central grego, George Provopoulos, tentou passar a mensagem de que não há outra alternativa a não ser o corte de gastos, pois o déficit é insustentável. “A crise é uma oportunidade para implementar as reformas, e não apenas falar sobre elas”, afirmou. “Os custos de não implementar serão enormes.”
Ele ainda ensaiou uma autocrítica, indicando que a recessão mundial em 2009 foi apenas parte do problema. O déficit, segundo ele, seria resultado do desequilíbrio interno do país. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Agência Estado

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