O GloboAgências internacionais

Imagem retirada do perfil no Facebook de Anna Chapman -  Reprodução

RIO – A suposta rede de 11 espiões a serviço da Rússia deflagrada esta semana pelos Estados Unidos lembra a relação das superpotências durante a Guerra Fria. Mas, como nas cenas do filme 007, uma bela e sexy mulher não poderia deixar de estar presente entre o grupo de agentes secretos. Linda, jovem e ruiva, a divorciada russa Anna Chapman, de 28 anos, é mestre em Economia, agente imobiliária pela internet, e tem um corpo digno das modelos Victoria’s Secret. Em sua página no Facebook, a jovem esbanja fotos sensuais em festas e eventos da alta sociedade nova-iorquiina. Apesar da vida social agitada, ela teria um pequeno segredo: passaria informações para o governo russo todas as quartas-feiras desde janeiro. A informação é do tabloide americano “New York Post”, que cita fontes americanas.

Putin critica EUA por prisão de supostos espiões, mas espera manter boas relações

Em uma específica troca de mensagens no dia de St. Patrick, 17 de março, a bela agente retirou um laptop de uma bolsa numa livraria de Manhattan, em Nova York, enquanto outro espião recebia – do lado de fora – o recado de Anna em outro laptop. Outra troca semelhante ocorreu em um café diferente da cidade. O FBI (Polícia Federal americana) alega que os dois estavam se correspondendo através de uma rede de internet secreta.

Na semana passada, um agente secreto que se fazia de funcionário russo organizou um encontro para falar sobre as trocas de mensagens semanais, fingindo estar pronto para enviar a jovem espiã para uma missão: entregar um passaporte falso para outra agente.

“Você está pronta para este passo?”, perguntou o agente disfarçado. “Claro que sim”, teria dito Anna.

O agente então explicou para a mulher como ela reconheceria a suposta colega e como confirmaria a entrega do passaporte.

“Não nos conhecemos na Califórnia no verão passado?”, diria a suposta espiã à espera do passaporte falso.

Anna Chapman seria espiã, de acordo com o FBI -  Reprodução do Facebook

“Não, acredito que foi nos Hamptons”, responderia Anna, que estaria com uma revista debaixo do braço para ser reconhecida pela outra espiã. A russa também deveria colar um selo num mapa para indicar que a entrega foi bem sucedida. A operação nunca aconteceu.

Outra manobra digna de filmes de espionagem teria ocorrido no Brooklyn, logo após uma reunião de agentes. Anna entrou numa loja de telefonia celular e comprou um aparelho usando o nome de Irine Kutsov, disseram agentes federais. Ela pretendia usar o telefone para “evitar o rastreamento de suas conversas”, informou o FBI.

Na segunda-feira, Anna foi presa sem direito a fiança ao mesmo tempo em que o promotor federal Michael Farbiarz a chamava de uma “agente altamente treinada” e uma mentirosa com “prática”.

Entre os supostos espiões estão também quatro casais de meia-idade que viveriam aparentemente uma vida normal. Eles teriam recebido nomes e documentos falsos, além de orientações para se tornar cidadãos “americanizados” e participar de “círculos políticos” nos EUA, enviando informações para o Kremlin.